Trilha Sonora do Caos: Bate Papo com Paulo Ricardo Silva do Imago Mortis

   

Por: Natália Almeida


    O caos está instalado há um certo tempo no mundo, mas como a percepção das bad vibes é veementemente negada a todo tempo pela cultura da perseguição à alegria editada, os atentos foram logo rotulados de depressivos. Só aqui no Brasil nos últimos quatro meses os hábitos forçosamente foram mudados (ou não) em uma espécie de batalha "coletiva" pela vida, contra um vírus desconhecido e implacável.
    Mas por outro lado, tivemos a oportunidade de perceber o poder de adaptabilidade do ser humano. Nesse sentido, as artes têm sido grande foco de reinvenção e suporte emocional diante dessa nova realidade.
    Várias bandas se mobilizaram e começaram a compor à distância, ensaiar à distância e sim...se apresentar à distância.
    É sobre isso e outras coisas que conversei com o baixista  Paulo Ricardo, da grande banda de Doom Metal Imago Mortis, que nos seus 25 anos de carreira aprendeu a resiliência e trouxe em suas músicas muitas experiências de vida e de leitura de mundo.

IMERSA S/A: Sobre as colab's da Imago Mortis que rolaram: como foi o processo de produção neste isolamento? 

Paulo: Estamos gravando cada um em suas casas (ou home studios), por não haver possibilidade de reunirmos e fazermos um trabalho com aquela característica de transmissão ao vivo, porém, com exceção de “Binary Viscerae”, decidimos tocar e regravar todas as outras músicas, pra dar um toque real nos vídeos e pra buscarmos uma sonoridade diferente. Os vídeos estão sendo produzidos pra participação na programação dos canais que apoiam o Metal nacional e pra conteúdo no nosso canal, todos no YouTube.


 

Binary Viscerae

IMERSA S/A: Vocês escolheram duas canções bem fortes para execução. Qual o foi o critério de escolha?

Paulo: A banda completou 25 anos de existência em 2020, a nossa ideia é pegar um pouco da história, trabalhar com músicas mais antigas, passando também pelo álbum atual. Além das músicas que segundo o público, não pode faltar, não ficarão de fora as que pouco apareceram ou que nunca entraram nos setlists dos shows.

 

IMERSA S/A: Sobre os planos para 2020, além da impossibilidade de realizar eventos presenciais, o que mudou para a banda com o infortúnio da pandemia?

Paulo: Estávamos fazendo alguns ajustes em 2019 e a banda havia dado uma pausa nos palcos. Esperávamos pegar uma sequência de shows em 2020, mas na falta dos eventos presenciais, resolvemos acompanhar diversas bandas e produzir trabalhos virtuais.

 

IMERSA S/A: Vocês sentiram que os desafios impostos pela atual situação os fez superar limites que anteriormente imaginavam impossíveis? 

Paulo: Imago Mortis sempre passou por imposição de limites nesses 25 anos, desde as trocas de formação, gravações, shows e demais coisas que envolvem logística. Na verdade, a gente só sobrevive no Metal nacional com superação. Agora é a fase da pandemia, que faz com que a gente procure diferentes formas de trabalhar.


IMERSA S/A: O Imago Mortis traz um legado de letras conceituais e filosóficas muito forte. O primeiro contato que tive com a banda foi através de uma revista onde explicava como o inesquecível álbum  "Vida: The Play of Changes" foi escrito e a partir daí quis conhecer o som. Como aconteceu o processo de composição das letras do álbum LSD? 

Paulo: O LSD é um álbum conceitual baseado no livro “The Anatomy of Love”, da professora de antropologia e pesquisadora do comportamento humano, Helen Fisher. A história do álbum e as letras, foram criadas a partir dos estudos publicados nesse livro, que aborda o que a ciência pode nos ensinar a respeito da maior fonte de prazer e de sofrimento dos seres humanos: os relacionamentos amorosos. O personagem “Eu”, reapareceu e resolveu se relacionar com alguém (e se deu mal).

 

 

IMERSA S/A: Podemos esperar lançamentos para 2020?

Paulo: Continuaremos trabalhando pra disponibilizar mais vídeos. Participamos dos festivais online no canal da Roadie Crew, produzido por eles junto ao Som do Darma e também no canal Heavy Talk.  A Imago Mortis voltará ao festival online da Roadie Crew, no dia 14/08, dessa vez com uma parte dos integrantes, ao lado do duo Lived, tocando Killing Joke, também gravaremos uma super clássica pra ser exibida em outubro, no mesmo canal.
Há possibilidade de também lançarmos, ainda este ano, uma releitura de uma música antiga, que não saiu como bônus track no LSD por falta de espaço no CD. Chegamos a conversar sobre um novo álbum, mas ainda não surgiu a ideia de quando começar a criar e produzir.

 Álbum LSD - 2018



IMERSA S/A: Muito obrigada pela disposição em falar conosco!

Paulo: Nós que agradecemos pelo contato e pela oportunidade de falar sobre nosso trabalho.

 Imago Mortis é:

Alex Voorhees: vocal
Luke Oliveira: guitarra
Rafael Rassan: guitarra
Charles Soulz: teclado
Paulo Ricardo Silva: baixo
Felipe Cassino: bateria

https://www.instagram.com/imagomortisbr/

https://www.facebook.com/imagomortisband/

https://www.youtube.com/imagomortisbr







*Natália Almeida é pedagoga, musicista, amante dos felinos e das artes em todas as suas vertentes.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Cacau Pinheiro: Conheça a vencedora do Concurso Quarentena King da Soulspell Metal Ópera

The Get Down e o surgimento do Hip Hop

A PERSONAGEM BONNIE DE THE END OF THE F***ING WORLD e porque ela diz tanto sobre nós (CONTEM SPOILERS)