Mary Shelley - a mulher que deu vida a Frankenstein
Por Rafaela Camargo*
Como
amante da arte, cinema e literatura posso afirmar que me sinto
imensamente grata de ter tido oportunidade de assistir ao filme
biográfico ‘’ Mary Shelley’’, me sinto grata pela arte no
mundo. É uma obra que inspira e toca até os menos sensíveis. É
como se algum aspecto da sua vida tivesse se renovado.
Apesar
de ser fã do gênero terror, a leitura do livro Franknstein
nunca
esteve na minha lista de leitura, até o momento que contemplei a
esta história.
Mary
Wollstonecraft (1797 – 1851), nasceu em Londres, é filha do
filósofo William Godwin e da escritora feminista Mary
Wollstonecraft. É conhecida por seu romance gótico Franknstein:
ou O Moderno Prometeu (1818), além disso, também foi dramaturga,
ensaísta, biógrafa e escritora de literatura de viagens. Com apenas
14 anos, em 1814, Mary se envolveu com Percy Shelley, escritor e
ativista político, seguidor de seu pai.
A
escritora colocou muito da sua visão iluminista do mundo e seu
sofrimento pessoal na criação deste romance. Percy era casado na
época e tinha uma filha pequena, o que foi um escândalo na época.
Então, junto com Claire Clairmont, sua irmã adotiva, eles viajaram
para a França e pela Europa, ao retornarem para a Inglaterra, Mary
engravida de Percy, enfrentaram dívidas, perseguição dos credores
e a morte da filha prematura, levando-a em profunda depressão.
Foi
no verão de 1816 que Mary, Percy e Claire foram passar o verão com
o poeta Lord Byron, cujo caso com Claire a tinha deixado grávida.
Neste verão, inspirada pelas apresentações de vivificação, assim
como suas dores pessoais concebeu a ideia de Franksntein.
Mary
Shelley, foi a primeira escritora a escrever um romance de terror, e,
por ser mulher sua obra não foi bem aceita pelas editoras da época.
A primeira edição de seu livro foi lançada com o nome de seu
marido, o qual se casou um tempo após o suicídio de sua ex- exposa.
Com a ajuda de seu pai, a segunda edição já trazia Mary como
autora.
Franknstein,
não é apenas um romance, ou apenas uma história de terror, é o
espelho de tudo que Mary sangrou, de sua visão de mundo, de que os
seres humanos são imperfeitos, e que o nosso sofrimento nos
transforma, nos rebela, a visão de que a dor é capaz de nos moldar
e fazer sermos o que somos.
‘’
Lembra-te que eu sou tua criatura. Eu
deveria ser o teu Adão, mas sou o anjo caído, que tiraste do jubilo
sem motivo algum.
Em
todo lugar vejo bem-aventurança da qual apenas eu sou
irrevogavelmente excluído.
Eu
era benevolente e bom. O tormento me fez um demônio. Me faça feliz
e eu serei virtuoso novamente.
''Mas
logo’ ‘- ele chorou, eu morrerei e o que eu sinto não será mais
sentido. Em breve, essas angústias ardentes serão extintas.
Acenderei
minha fogueira fúnebre em triunfo e agonizarei nas chamas
torturantes. Meu espírito descansará em paz e se ele se afligir não
passará de uma ilusão.
Adeus.’’
REFERÊNCIAS
MARY
SHELLEY. Direção: Haifaa Al Mansour. Produção:
Netflix.Intérpretes: Elle Fanning, Douglas Booth, Tom Sturridge, Bel
Powley. 2018.
Rafaela Camargo é Bibliotecária e Gestora de Plantão, apaixonada por viagens, música, cinema e literatura


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