DARCHITECT: Da Amizade ao Metal
Por Natália Almeida*
Essa matéria surgiu a partir de uma postagem no perfil do Instagram da Darchitect, banda paulistana formada por Alex Marras (guitarra), Lucas Coca (baixo e vocal) e Gabriel Gifoli (bateria) cuja legenda era: "Antes de ter uma banda, tenha amigos. O resto acontecerá". Sobre esse e outros detalhes, conversei com o Gabriel.
IMERSA S/A: Como a banda se formou?
Gabriel: A banda se formou em janeiro de 2014. Nós estávamos numa festa na casa do Alex, nosso guitarrista, e de brincadeira começamos a sugerir formar uma banda nova, só que a brincadeira acabou ficando séria e, na manhã seguinte, fomos ao estúdio de um amigo para ensaiar e ver como nos sentíamos. Curtimos o resultado na hora e a partir daí deslanchou.
IMERSA S/A: Certo dia vi uma postagem no perfil do Instagram da Darchitect que mencionava a amizade de vocês antes de serem uma banda. A amizade é um fator decisivo para o fluir das composições?
Gabriel: o Alex e eu somos amigos de infância, nos conhecemos nos tempos de escola ainda, em 2001, quando tínhamos 8 anos. O Coca conhecemos 10 anos depois, em 2011, e o sentimento de carinho e amizade só cresceu. Acho que, assim como em qualquer ambiente de trabalho, desenvolver um projeto com amigos é especial porque rola um sexto sentido, muitas vezes a gente sabe pra onde a composição está indo simplesmente por já conhecer a pessoa e a forma como ela costuma pensar e trabalhar. É ótimo também pela liberdade na comunicação - nós temos carta branca para opinar e até criticar as ideias uns dos outros sem que isso afete a amizade, o que é uma vantagem enorme na hora de debater ideias e dar sugestões.
IMERSA S/A: Quando iniciaram já tinham um estilo definido a seguir ou este foi construído no processo de criação de material autoral?
Gabriel: Foi um misto das duas coisas. O Alex e eu já tocávamos juntos numa banda de hard rock quando éramos adolescentes, mas depois seguimos caminhos separados, e o Coca vinha de uma escola musical mais extrema, com experiência em bandas de thrash. Quando nos juntamos, todos concordamos que seria legal tentar algo nessa área ou mesmo além, ou seja, thrash/death metal. O primeiro disco é bem calcado nesse pensamento, mas desde aquele momento já tínhamos combinado que teríamos liberdade para deixar a música fluir para onde quer que ela fosse - tanto que tem muita coisa de doom, de stoner e até de hardcore ali, se analisar bem. Nos próximos trabalhos, por outro lado, sentimos que as coisas estão mais livres, mais orgânicas, o que vai poder ser visto inclusive no disco novo, que deve sair agora em 2020 ou começo de 2021.
IMERSA S/A: Quais as principais influências da banda?
Gabriel: São tantas! A primeira de todas, arrisco dizer, é Black Sabbath, a banda que moldou nosso caráter musical desde o princípio. Também escutamos muita coisa de rock progressivo clássico e que vai dar pra sentir bem no novo trabalho, bandas como King Crimson, Jethro Tull e, mais recentemente, Opeth. Cada um de nós tem suas preferências e influências pessoais, como é o Pantera para os vocais do Coca, por exemplo, ou o Rush para mim na bateria, e tudo isso acaba formando um caldeirão de experiências que resulta em algo, com toda a humildade, único.
IMERSA S/A: Um festival que gostariam de participar.
Gabriel: O Wacken! (risos) enquanto não conseguimos chegar tão longe, porém, seria legal participar de festivais de metal brasileiros, como o Guaru Metal Fest, sempre bom bandas nacionais matadoras. Seria uma honra figurar entre elas algum dia.
IMERSA S/A: No quesito estilo, Mechanical Healing imprimiu o selo de identidade da banda?
IMERSA S/A: Quais as fontes de inspiração para as composições das letras de vocês?
Gabriel: O Wacken! (risos) enquanto não conseguimos chegar tão longe, porém, seria legal participar de festivais de metal brasileiros, como o Guaru Metal Fest, sempre bom bandas nacionais matadoras. Seria uma honra figurar entre elas algum dia.
IMERSA S/A: Quem faz as artes visuais da banda?
Gabriel: Essa é uma parte que sempre levamos muito a sério, identidade visual e tudo mais. Para o nosso primeiro disco, "Mechanical Healing", entramos em contato com o Joe Petagno, que fez várias artes (e o logo) do Motörhead e trabalha com bandas como Vader e nossos irmãos brasileiros do Krisiun. Também gostamos de usar obras de artes clássicas, como a que está na capa do último lançamento, o EP "Blasphemus". É um enxerto de uma arte do século XIX de um artista francês chamado Jean-Paul Laurens. Para o álbum novo, enfim, contratamos o Adam Burke, que fez algumas artes fantásticas para bandas como Thy Art is Murder. Na parte técnica da coisa, isto é, diagramação do álbum, edição final etc., o responsável é o grande João Duarte.
IMERSA S/A: Tocar em trio é um desafio para muitas bandas. Como chegaram à conclusão que essa seria a melhor opção para a Darchitect?
Gabriel: Nossa ideia original, na verdade, era um quarteto, com o Coca só cantando. No fim das contas notamos que um trio funcionava bem e acabamos estabilizando a formação (que nunca mudou, aliás). O desafio maior, sem dúvida, é conciliar mais de uma função dentro da banda, já que o Coca canta e toca baixo e violão às vezes, o Alex toca guitarra, teclado e canta e eu tenho meus backing vocals enquanto toco bateria também.
IMERSA S/A: Muitas bandas se mobilizaram para "não deixar a peteca cair" durante a pandemia. Como vocês estão se articulando para fazer e divulgar os sons?
Gabriel: É realmente complicado, porque é uma situação sem precedentes. Nós planejamos 2020 para ser um ano-chave, mas isso foi muito afetado pela pandemia. O plano original era lançar um EP, um álbum e um single e, além disso, sair em turnê no mês de junho. A turnê foi adiada, obviamente, mas o EP acabou sendo lançado com sucesso e o disco, parcialmente gravado, vai ser finalizado assim que for seguro entrar em estúdio sem riscos de contágio, claro. É difícil lidar com tudo isso, naturalmente, e nossa estratégia é tentarmos nos manter relevantes na cena através das redes sociais e construindo contatos e amizades - de novo batemos nessa tecla, mas é a verdade. Ter amigos abre muitas portas, e nós acreditamos fielmente que é ajudando outras bandas e profissionais que faremos a cena ir para frente, ainda mais em um momento tão complicado quanto esse.
Gabriel: O primeiro disco é sempre o cartão de visitas de qualquer banda, e poucas podem se dar ao luxo de cometer erros no trabalho de estreia. Claro que a mentalidade e mesmo a qualidade individual enquanto músicos muda muito com o tempo, então nós sempre vamos enxergar coisas que poderiam ter sido diferentes e etc., mas temos muito orgulho do trabalho. É o primeiro passo, nossa entrada nessa cena metal underground tão rica. O que não queremos, porém, é lançar o mesmo disco várias vezes, e isso não faremos mesmo, como vai ficar claro no trabalho novo!
Mechanical Healing
IMERSA S/A: Quais as fontes de inspiração para as composições das letras de vocês?
Gabriel: Eu sou o responsável pelas letras, até pela minha formação pessoal né, já que eu sou jornalista. Sou muito ligado em literatura, cinema e outras manifestações culturais do tipo, e pego muita coisa daí, é um universo gigantesco e riquíssimo de influências. Também tem a influência de outras bandas e compositores, como, no meu caso, Neil Peart, do Rush, meu ídolo máximo na bateria e nas letras. A ideia nas letras, aliás, é realmente passar uma mensagem, e não apenas preencher a música com palavras sem sentido. Isso levamos muito a sério, tanto que, no fim das contas, o disco novo será conceitual.
IMERSA S/A: Tocam em projetos paralelos ou trabalham em dedicação exclusiva na Darchitect?
Gabriel: Coca e eu tocamos em outra banda juntos, chamada Aryuz, na qual o Alex inclusive tocou. 100% do Darchitect é ou já foi do Aryuz (risos)! É uma banda que nos uniu ainda mais enquanto amigos e pela qual temos muito carinho e à qual dedicamos muito esforço também, mas no momento é só isso. O Alex trabalha como produtor profissional e acaba participando em vários projetos também por conta disso vale dizer.
Gabriel: Coca e eu tocamos em outra banda juntos, chamada Aryuz, na qual o Alex inclusive tocou. 100% do Darchitect é ou já foi do Aryuz (risos)! É uma banda que nos uniu ainda mais enquanto amigos e pela qual temos muito carinho e à qual dedicamos muito esforço também, mas no momento é só isso. O Alex trabalha como produtor profissional e acaba participando em vários projetos também por conta disso vale dizer.
Acompanhe a banda:
Site oficial: http://www. darchitect.com.br/
Página Oficial Facebook: https://www. facebook.com/ darchitectofficial
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Twitter: @darchitectband
*Natália Almeida é Pedagoga, musicista, apaixonada por felinos e amante das artes em todas as suas vertentes.
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*Natália Almeida é Pedagoga, musicista, apaixonada por felinos e amante das artes em todas as suas vertentes.


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