Apenas assistam Black Earth Rising (SEM SPOILER!)
Por Bruna Vasques*
Eu adoro uma série limitada. Uma
série limitada te dá aquela sensação de liberdade, você sabe que
vai acabar no episódio X, você se programa para
assistir dois episódios por dia e, o melhor, não vai precisar
esperar um ano por uma nova temporada que, ao chegar, você já
esqueceu de tudo o que aconteceu nas anteriores (eu me divorciei de
Game of Thrones por conta disso. Tá, casei de novo com ela, me
julguem).
Black Earth Rising é uma
produção Netflix de apenas 8 episódios que podem ser 16 ou até
mesmo 24 porque eu, certamente, assistirei de novo. Primeiro porque
meu intelecto é um pouco limitado pra entender completamente com uma
assistida só e porque é boa demais. Portanto, não vou me
aprofundar muito e fazer análises muito ricas, mas não posso deixar
de indicar essa maravilha.
A sinopse é a seguinte: a
protagonista, Kate Ashby, é uma jovem mulher que foi resgatada,
ainda criança, por ativistas pelos direitos humanos, do genocídio
ocorrido em Ruanda há 25 anos. A série já começa tensa porque
Kate foi adotada por uma promotora que julga casos de crimes contra a
humanidade: o fato é que a mãe de Kate se vê na obrigação de
processar um líder tutsi que foi um dos responsáveis pelo fim do
genocídio da população dessa etnia, mas que agora tem um posto de
comando nas milícias africanas. A partir daí a história se
desenrola, envolvendo profundamente Kate, que é agora uma
investigadora jurídica.
Black Earth Rising é uma série
que não deixa o espectador descansar: você pisca e perde algum
acontecimento importante, ou até mesmo uma fala que explica toda uma
situação complexa. Não é uma narrativa mastigada, é preciso
pensar para compreender, voltar a cena, é preciso refletir sobre o
que personagem quis dizer porque, em se tratando de uma trama
extremamente política, nem sempre os personagens são explícitos.
Parece cansativo, mas vale a pena porque trata de questões muito
importantes.
Não se trata, ainda mais no
momento em que as pautas étnicas estão explodindo na forma de
revoltas muito justas, de colocar a população negra e africana como
uma população em guerra entre si. Até porque o genocídio em
Ruanda aconteceu de fato, foi o assassinato em massa de mais de 1
milhão de seres humanos e isso não se pode negar. No entanto, a
série mostra um viés profundo da questão como, por exemplo, o
papel vergonhoso que os países imperialistas e o capital tiveram no
genocídio.
Mas, a mensagem mais importante
que ficou pra mim foi que nenhuma nação encontra paz até que se
revele totalmente as passagens nefastas de sua história, até que se
puna aqueles que perpetraram crimes não só contra a nação, mas
contra a humanidade. Porque além da busca por suas origens, por sua
história, por sua própria vida, os personagens principais de Black
Earth Rising procuram pela verdade e pela justiça de maneira
não-romantizada.
A própria protagonista não é
uma heroína convencional: quem dá vida a ela é a fabulosa Michaela
Coel que nos surpreende com uma atuação impecável de uma mulher
profundamente abalada psicologicamente, que chega a ser seca e
antipática em algumas cenas e, em outras, extremamente vulnerável e
cativante. Só por essa atuação, valeria a pena investir na
produção.
É importante dizer que, para
algumas pessoas, a série pode ser um pouco pesada não só pela
temática, mas porque algumas cenas são sim, violentas. Não são
poucos os assassinatos e as mortes por armas de fogo são retratadas
de maneira muito realista, o que chega a impressionar bastante.
Última coisa pela qual vale a
pena assistir Black Earth Rising: o tema de abertura sensacional, You
Want It Darker, de Leonard Cohen que você pode ouvir abaixo:
O trailer você também pode ver
aqui:
Black
Earth Rising, série limitada.
8
episódios de aprox. 1 hora.
Escrita
e dirigida por Hugo Blick
Produzida
por Netflix e BBC Two.
Bruna Vasquez é Cientista Social e Pedagoga. Gosta de Drag Music a Heavy Metal, de documentário a série absurda. Anda lendo o que tem na estante de casa e sua mais nova encanação são os estudos de gênero e feministas.
Bruna Vasquez é Cientista Social e Pedagoga. Gosta de Drag Music a Heavy Metal, de documentário a série absurda. Anda lendo o que tem na estante de casa e sua mais nova encanação são os estudos de gênero e feministas.


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