A ARTE DARK DE DANIE FERREIRA




 


Por Natália Almeida*


IMERSA S/A: Olá, Danie, gostaria de primeiramente agradecer por topar contar um pouco do seu trabalho pra gente!
Olá, eu que agradeço pelo convite! Uma honra poder falar da minha arte para vocês!

IMERSA S/A: Quando você começou a se interessar por artes visuais?
Eu desenho desde os 13 anos de idade. Sempre foi por pura diversão, Nem sempre passou pela minha cabeça que a arte faria parte da minha vida com tamanha grandiosidade. Acho que a arte como um todo tomou dimensão na minha vida conforme eu amadurecia.
Dos vinte e poucos anos para cá, tudo em minha cabeça e coração já estava bem mais definido. Eu sempre amei ler e assistir filmes de terror.
Sempre fui Cinéfila e sempre me interessei por exposições artísticas, museus, cinemas, teatros. Sempre tive grande influência em minha vida por alguns pintores, compositores, escritores e artistas comuns mesmo, cuja a arte me tocava. A arte de uma maneira geral desde sempre esteve presente em minha vida.




IMERSA S/A: Você frequentou alguma escola de Belas Artes ou é autodidata?
Nunca estudei Belas Artes, Bauhaus ou qualquer outra escola de formação artística.
Também nunca havia cogitado a possibilidade de estudar Artes Visuais ou Artes Plásticas.
Eu segui caminhos totalmente opostos com relação a arte. Mas incrivelmente, tudo me levava de encontro com ela, como se fosse destino. Ainda bem!
No fim das contas, eu me matriculei no curso de Artes Plásticas, mas na sequência começamos a viver esse momento da quarentena.
Não me considero "autodidata" porque desenhar o que quer que seja, exige muito do artista. Que ele estude. Desde técnicas, composições, estilo... exige estudo, não é simplesmente por no papel.
Outra coisa importante a ser dita, é que a arte acontece para cada artista de forma diferente. A arte nos toma por momentos. A inspiração surge desde um filme que eu assisti, de uma música que ouvi, de um lugar que conheci, de um sonho, de uma cor, de algo na natureza. Também não acredito em dom. Acredito em estudo.


IMERSA S/A: Quais artistas influenciaram ou ainda influenciam o seu trabalho?
Muitos artistas famosos e amadores, assim como eu, influenciam a mim e o meu trabalho, Van Gogh, Leonardo Da Vinci, Monet, Tarsila do Amaral, Candido Portinari, Renoir, Jean Baptiste Camille Corot, Di Cavalcanti, Michelangelo, Alfonse Mucha, Man Ray são alguns deles. 
Lugares como MASP, Pinacoteca, CCBB, Theatro Municipal de SP, MIS, Casa das Rosas são lugares que me sinto acolhida como se estivesse em meu próprio lar. Aliás, isso acontece muito porque são lugares que o ar é artístico e nos faz respirar arte.
Acredito que devo mencionar que, o cinema também é a minha fonte de inspiração, vários diretores como Tim Burton, Scorsese, Tarantino, John Carpenter, Hitchcock, George A Romero, David Lynch, Clive Barker, e escritores como Edgar Allan Poe, HP LoveCraft, Stephen King, Anne Rice, Mary Shelley, Tolkien, Stoker, Baudelaire entre outros nomes dentro do cinema e literatura me influenciam completamente como artista.



IMERSA S/A: Você tem alguma técnica ou escola artística que segue em suas composições ou é uma questão de feeling no momento de criação?
Eu gosto muito de vermelho e preto, e essas são as minhas cores da vida. Engraçado que muitas pessoas achavam que era mais algo criado para diferenciar a minha arte mas é a mais pura expressão de mim mesma.
 Eu gosto de muitas escolas, e acredito que no início é muitíssimo importante que as pessoas que começam a caminhar pela estrada da arte, se identifiquem com alguma escola .
 As vezes, isso é até uma busca para que em meio aos processos, possamos entender qual é o nosso estilo. Eu acabei desenvolvendo o meu e me encontrando especialmente no blackwork. Aí comecei a usar o vermelho como marca da minha arte.
Minhas principais artes, os meus principais materiais para desenvolver meu estilo são o bico de pena e o nanquim. Essa técnica é difícil, mas por curiosidade em saber o que se podia fazer com o bico de pena, acabei me apaixonando e esses se tornaram os materiais principais do meu trabalho.
Eu estudo aquarela apesar de ter dificuldade para gostar de desenhos coloridos. 
Também gosto muito de luz e sombra, pontilhismo, giz pastel alemão seco, carvão. Acho que os materiais definem mais um artista do que uma escola.
Tenho me interessado e estudado muito realismo também.
Acredito muito no "feeling do momento" que você citou que para nós se chama inspiração. A inspiração vem até de um estado de espirito. Para muitos a alegria, para mim e tantos outros, não necessariamente a tristeza, até porque, não vejo a tristeza como um sentimento negativo, mas essa coisa do silencio, da introspecção, um momento de contemplação ou até mesmo um estado que a música pode causar na hora, a cena de um filme ou a escrita de algum autor literário. Tudo isso é importante para que eu crie a minha arte.


IMERSA S/A: Você tem vários desenhos que retratam obras literárias. Poderia nos contar mais sobre?
Eu tenho vários desenhos relacionados ao cinema em primeiro lugar. Comecei a desenhar terror e temas geeks, digamos assim, numa fase de perrengue em que desenhar era uma maneira de ganhar dinheiro.
Não era e não é meu trabalho da vida, de fonte de renda, até porque, vivemos em um país onde a arte não tem valor algum. Para que eu possa viver somente da arte preciso evoluir como artista, anos luz do que eu já faço. Estudar muito mais, enfim.
Nessa época de desenhar "o que vendia" eu fui me descobrindo. Descobrindo o meu traço, as minhas cores, o meu estilo. Tudo foi se definindo. A literatura veio na sequência, quando desenhar já não era mais necessidade financeira, mas necessidade de me expressar, expressar meus sentimentos, minhas dores, minhas alegrias, assim como a música também sempre ajudaram nesse processo.
A arte é evolucionista, sempre há o que aprender, o que melhorar, o que usar. E ela sempre vai me tocar e tocar, alcançar pessoas.
Sempre digo que se nada me livra da morte, a arte me salva a vida!
A literatura, cinema, fotografia, música, tudo isso tem um peso enorme desde o meu processo de inspiração, até o processo de criação.






IMERSA S/A: Já compôs algum trabalho visual inspirado nas suas referências musicais?
Eu gosto muito de Metal. Falando de estilos musicais, gosto muito de Pôs Punk anos 80, Rock and Roll, gosto de música clássica, de blues, de Frank Sinatra rs
E sim, tenho várias artes baseadas nos meus momentos musicais.
Só para ficar registrado, eu só consigo desenhar ouvindo música.


IMERSA S/A: Deixe um recado pra galera que gosta de desenhar e não sabe por onde começar! 
Meu crescimento artístico ficou bem forte e se deu totalmente quando fui morar em SP capital. Lá as pessoas respiram arte, tem arte em todos os lugares: nas ruas, nas praças, nos muros de toda a cidade, nas dezenas de museus espalhados, teatros.
Sempre rola amostras de artistas famosos e amadores que por sua vez são incríveis. E artistas que podem vivenciar isso agregam muito em nossas vidas e currículos, sabe?
Eu mesma tive a oportunidade de expor duas vezes a minha arte, fui muito acolhida e um desses lugares era um lugar dos sonhos, onde eu sempre sonhei um dia visitar.  Nunca imaginei que, mais do que isso, eu iria ter minha arte exposta lá para outras pessoas!

Muitas pessoas vêm me dizer que minha arte impactou a vida delas de alguma maneira, que minha arte foi em algum momento inspiração para que começassem a desenhar. Acho que você sabe que está no caminho certo quando sua arte toca outras pessoas.
A arte é isso, você precisa ser tocado para depois tocar alguém. Ser inspiração e referência para algumas pessoas jamais passou pela minha cabeça, e é incrível.
Eu sempre digo para quem gosta de desenhar e está começando agora o seguinte: A arte, antes de qualquer coisa, tem que te tocar profundamente. Você tem que ter noção do que ela representa na sua vida. Porque a arte é uma manifestação gigante dentro de nós. Quando nos expressamos, estamos colocando em um papel, ou tela, muito de nós, do que pensamos, sentimos, lemos, ouvimos, assistimos, compartilhamos. Você não precisa frequentar uma escola de artes para ser bom. Precisa de empenho, vontade e estudo nas técnicas que escolher. 
Não é o material que faz o artista, nem o lugar onde ele estudou, mas toda a sua vivência, sua bagagem de vida, seus sonhos, seus ideais.
Todo material de interesse dever ser explorado, pesquisado. 
A dedicação e o tempo que você empenha te leva a desenhar cada vez melhor. É importante, logicamente investir em um curso, em uma escola, em potenciais para nos aprimorarmos. Mas antes disso, é preciso ter vontade e ser incansável. Quanto mais referencias artísticas você tiver e puder ter, maior a chance da sua arte se desenvolver.
Você vai se apaixonar por cores, vai descobrir dentro da arte o estilo em que é bom, vai criar uma identidade artística e desenvolver o seu eu artístico dentro dos processos.
É incrível.
Se você gosta de desenhar e não sabe por onde começar, comece com referências de coisas que você gosta. E seja perseverante. Um dia, simplesmente acontece.

 




 


*Natália Almeida é Pedagoga, musicista, apaixonada por felinos e amante das artes em todas as suas vertentes.

Comentários

  1. O mundo da arte é incrível. Essa entrevista foi inspiradora, saber um pouco mais de como a artista começou, o que inspira ela, os materias e técnicas... Amei, as artes dela são únicas <3

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    1. Que bom que gostou, Aléxia!! Obrigada pela devolutiva!!!

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  2. A Danie é uma pessoa incrível. Primeiro de tudo, a arte É quem a torna Danie. Quem a faz única. Está na roupa. Na voz. No jeitinho antiquado. Nas amizades. No cult. A arten com ela. Muito sucesso.

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